Prêmio Paulista inicia novo ciclo mas mantém essência

Autoridades presentes na cerimônia de enttrega da 65ª edição do Prêmio Paulista, que teve como palco o Grande Auditório do Bunkyo (Foto: Aldo Shiguti)

Tradição que vêm sendo mantida há mais de seis décadas, a cerimônia de entrega do Prêmio Paulista, que este ano chegou a sua 65ª edição no último dia 7, no Grande Auditório do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – no bairro da Liberdade, em São Paulo, iniciou um novo ciclo, mas se manteve fiel as suas origens de homenagear o trabalho de personalidades que atuam em prol não só da comunidade japonesa bem como para o desenvolvimento da sociedade brasileira.

Realizado pela primeira vez pela Associação Brasil Nippo, Diário Brasil Nippou e Jornal Nippon Já, o Prêmio homenageou este ano 34 personalidades. Além das tradicionais modalidades esportivas, foram homenageados também destaques nas categorias Honra Nikkei, Social e Cultural. E, mais uma vez, familiares e amigos lotaram o Grande Auditório do Bunkyo.

Estiveram presentes, entre outras autoridades, a cônsul adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Chiho Komuro; o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa; o presidente da Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Toshio Ichikawa; o vice-presidente da Enkyo (Beneficiência Nipo-Brasileira de São Paulo), Jun Suzaki; o presidente da Aliança Cultura Brasil-Japão, Eduardo Yoshida; o representante chefe da Jica (Japan International Cooperation Agency), Masayuki Eguchi; o diretor-presidente da Jetro no Brasil, Hiroshi Hara; o diretor geral da Fundação Japão, Masaru Suzaki; os vereadores Aurélio Nomura e George Hato; o secretário gereal da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Fujiyoshi Hirata; o presidente da Associação Pan-Americana Nikkei do Brasil, Noritaka Yano; o presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, Ritsutada Takara; o ex-presidente da Editora Jornalística União Nikkei, Raul Takaki, e o ex-presidente da Jucesp e ex-deputado federal, Walter Ihoshi, além de Tadao Ebihara, presidente da Associação Brasil Nippo, que edita os jornais Diario Brasil Nippou e Nippon Já – responsável pela realização do Prêmio a partir deste ano.

Amigos e familiares dos homenageados prestigiaram a cerimônia do 65º Prêmio Paulista (Facebook Walter Ihoshi)

Antes dos discursos, foi feito um minuto de silêncio em homenagem a dois grandes líderes da comunidade que faleceram recentemente, Toshiaki Yamamura, que presidiu a Uces (União Cultural e Esportiva da Sudoeste) e a Fenivar (Federação das Entidades Nikkeis do Vale do Ribeira), e o empresário Hirofumi Ikesaki, fundador do Grupo Ikesaki e ex-presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade).

Legado – Falando em nome do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, a cônsul adjunto Chiho Komuro lembrou que, após uma pausa obrigatória em 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus, o Prêmio Paulista foi retomado em 2021 com a inclusão de novas categorias. E destacou que esta edição é a primeira sob o comando da Associação Brasil Nippo, Dário Brasil Nippou e Jornal Nipon Já, “que assim dão continuidade a este valioso legado”.

“Creio que este Prêmio simboliza os esforços e contribuições dos japoneses em prol do desenvolvimento da comunidade e da sociedade brasileira, que generosamente acolheram os primeiros imigrantes”, disse a cônsul.
Já o representante chefe da Jica destacou sua alegria de poder estar junto dos homenageados e de seus familiares. “Acredito que todos vocês são referências a serem seguidas pelas futuras gerações”, comentou Eguchi.

Hiroshi Hara ressaltou que os premiados fortalecem os laços entre o Brasil e o Japão e por isso espera que o Prêmio continue sua trajetória contribuindo assim para fortalecer cada vez mais a amizade entre os dois países.
Homenageado com o Prêmio Paulista em 2008 – à época, indicado pela Associação Nikkei de Golfe do Brasil – Roberto Nishio disse que, a partir de 2013, quando assumiu a presidência da Fundação Kunito Miyasaka, passou a participar do Prêmio também como patrocinador por intermédio da FKM.

“O que fazemos com bom gosto pois todos vocês são merecedores”, disse Nishio, que destacou o trabalho de Yoshiharu Kikuchi, um dos homenageados deste ano como um dos “grandes líderes da comunidade japonesa”.

Festival do Japão – Em nome das 47 associações de províncias, Toshio Ichikawa, presidente da Kenren, , parabenizou todos os homenageados, “que neste momento representam os valores herdados dos nossos antepassados, como perseverança e resiliência, e que continuam influenciando as novas gerações”. E também fez seu “comercial” e convidou todos os presentes a prestigiarem o 23º Festival do Japão, que será realizado de 15 a 17 de julho, no São Paulo Expo.

Orgulho – Presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa parabenizou todos os homenageados desta edição, bem como seus familiares e amigos presentes. “Todos vocês nos enchem de orgulho por contribuírem – em suas respectivas áreas e segmentos – para o fortalecimento da comunidade e, por conseguinte, da cultura japonesa no Brasil”, disse Ishikawa, explicando que, “tais premissas, inclusive, vem de encontro com a missão e os objetivos do Bunkyo”.

“Temos a responsabilidade de promover, preservar e divulgar iniciativas e ações da coletividade nipo-brasileira. Portanto, todos vocês que receberão as homenagens fazem parte deste espírito colaborativo, de levar adiante valores transmitidos pelos nossos antepassados, dos pioneiros da imigração que aqui chegaram em 1908. Minha imensa gratidão por contribuírem nessa jornada”, disse, lembrando que, quando assumiu a presdiência do Bunkyo, 2019, “fizemos todo um trabalho maior de aproximação com as regionais (associações do interior, de outros estados e também de outros países) intensificando a participação delas junto ao Bunkyo”. “Assim, fortalecemos cada vez mais os laços com outras entidades por meio do diálogo e transparência. Essa união de forças é o combustível que nos move para melhorarmos sempre. Acredito que assim seja com todos aqui, pois estão sendo reconhecidos por lutarem, acreditarem e, principalmente, por agregarem”, assegurou Renato Ishikawa, acrescentando que é um “grande defensor dos jovens, procurando sempre estimular a presença em encontros e reuniões”. E concluiu afirmando que “juntos seremos mais fortes”.

Para Walter Ihoshi, o dia era de agradecimento. “Agradecer, primeiro, os pioneiros. E depois os homenageados de hoje. Vocês todos são merecedores deste reconhecimento por transmitirem, cada um em suas respectivas áreas, os valores herdados dos nossos pioneiros”, disse Ihoshi, que agradeceu também a oportunidade de ter representando a comunidade nikkei na Câmara dos Deputados por três mandatos.

Por fim, Walter Ihoshi agradeceu o ex-presidente do Jornal Nippak, Raul Takaki, por tter dado continuidade ao Prêmio depois da fusão do Nippak com o Jornal Paulista, idealizador do evento.

O vereador George Hato lembrou que ingressou na carreira política pelo ideal de trabalhar e fortalecer a bandeira do esporte. “Como médico, sei que o esporte salva vidas e que, para cada R$ 1,00 investido, economizamos R$ 3,00 ou R$ 4,00 com remédios”, salientou.

Já Aurélio Nomura lembrou que, por muitos anos, a Câmara Municipal de São Paulo recebeu o Prêmio Paulista, incentivando e enaltecendo este importante evento. “Depois, até pela proibição de receber eventos, o Prêmio passou a ser realizado pelo Bunkyo, que imediatamente abraçou esta iniciativa”, disse Nomura, explicando que o esporte “foi um dos diferenciais da imigração japonesa e contribuiu para fortalecer algumas de nossas características”.

“Hoje temos orgulho de dizer que ajudamos a escrever a história do nosso pais”, disse Nomura, lembrando que hoje os nikkeis ocupam os mais variados postos”.

Raul Takaki, que presidiu o Jornal Nippak e o Nikkey Shimbun, que por anos realizaram o Prêmio Paulista, parabenizou o presidente da Associação Brasil Nippo, Tadao Ebihara, por dar continuidade ao evento. E enalteceu as associações, que, através de um trabalho quase sempre anônimo, indicam os homenageados. “Espero que o Prêmio Paulista chegue até os 100 anos”, finalizou Takaki.
Também enviaram mensagens o fundador da Associação Brasil Nippo, Takaharu Hayashi, e o deputado federal Luiz Nishimori, que parabenizaram os homenageados.

Homenageados na cerimônia da 65ª edição do Prêmio Paulista manifestam sentimento de gratidão

Uma surpresa e, ao mesmo tempo, um sentimento de gratidão. Qualquer que seja a atividade, ser indicado para receber o Prêmio Paulista é motivo de orgulho, embora quase sempre os indicados não se acharem merecedores de tal júbilo. E para os homenageados no 65º Prêmio Paulista, evento realizado pela Associação Brasil Nippo, Diário Brasil Nippou e Jornal Nippon Já, no dia 7 de maio, no Grande Auditóri do Bunkyo, não foi diferente.

Humildade é uma característica comum a todos. Atual presidente do Conselho Deliberativo da Enkyo, Yoshiharu Kikuti, compartilhou a honraria com toda a comunidade. Já a sensei Shigeko Gushiken disse que “trabalhará ainda mais para transmitir os valores e as tradições de Okinawa para as futuras gerações, em conjunto com demais professores e meus alunos”.

Com os olhos ainda marejados, Sergio Kiyoshi Inoue, disse que “me emociono lembrando do meu pai e meus antepassados. “Espero que prêmios e eventos como esse sejam uma oportunidade para os mais jovens se interessarem mais pela cultura japonesa”.
Também muito emocionado, Yoshihiro Sakashita, disse que receber o Prêmio é um reconhecimento pelos 50 anos dedicados ao sumô.

Homenageados destacam importância do Prêmio Paulista

Premiados nas categorias Honra Nikkei, Social e Cultural

Realizado no dia 7 de maio pela Associação Brasil Nippo, Diário Brasil Nippou e Jornal Nippon Já, a cerimônia de outorga da 65ª edição do Prêmio Paulista lotou o Grande Auditório do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Idealizado pelo extinto Jornal Paulista e realizado por muitos anos pelos também extintos Jornal Nippak e Nikkey Shimbun, o Prêmio Paulista tinha como objetivo inicial valorizar o trabalho de dirigentes abnegados e incentivar jovens talentos de destaques nas modalidades esportivas trazidas pelos imigrantes japoneses.
A partir do ano passado foram introduzidas também as categorias Honra Nikkei, Sociais e Culturais, reconhecendo, assim, o trabalho não só de quem atua em prol da preservação do legado deixado pelos pioneiros como também aqueles que contribuem para o desenvovimento do Brasil, manifestando nosso sentimento de gratidão ao país.

Para os homenageados, o Prêmio Paulista representa um incentivo para continuarem se dedicando ainda mais em suas respectivas áreas.

Como é o caso do praticante de Kobudô, Lucas Shindi Sakaguti. Indicado pelo Instituto Niten, Lucas disse que o Prêmio “representa a continuidade de uma tradição e mostra que eu consigo seguir os ensinamentos que os meus Senseis e Senpais passaram”.

Para o sumotori Daniel Guedes, da Associação Nikkei do Rio de Janeiro, uma motivação para continuar no esporte que já pratica há 13 anos.

Homenageados do 65º Prrêmio Paulista nas modalidades esportivas

Sentimento compartilhado também por dirigentes como o presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Araçatuba e da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Hideto Honda. Para ele, momento de lembrar dos pais, “que sempre batalharam pela comunidade”. “Aprendi com meu pai que a gente não é nada sem os voluntários da associação. Então, esse Prêmio dedico a todos os meus amigos, a minha equipe, aos associados, colaboradores e voluntários que estão sempre ajudando a gente”, destacou Hideto, que esteve acompanhado de Márcio Miyada (Conselho Fiscal) e de Ademir Goulart (diretor da escola japonesa de Araçatuba).

Para o presidente da UPK (União Paulista de Karaokê), Pedro Mizutani, o Prêmio “representa muito porque a gente quer deixar como legado essa cultura do karaokê para toda a comunidade e para as próximas gerações”.
Segundo ele, que acabou de comandar, com sucesso, a realização do 27º Concurso de Karaokê do Estado de São Paulo, o Paulistão – como é mais conhecido – depois de um ano de interrupção por conta da pandemia, “as gerações que estão vindo agora estão muito desconectadas com a cultura japonesa”. “Então, nosso grande objetivo é fazer com que essa cultura permaneça por várias e várias gerações e se perpetue”, conta, explicando que “me sinto muito honrado e me sinto ainda mais na obrigação de manter esse legado e continuar trabalhando bastante em função desta comunidade japonesa e levar todo esse conhecimento para as futuras gerações”.

Para o sensei Ricardo Origassa, do Paraná, foi uma “surpresa”. “Fiquei muito feliz”, disse ele, que nasceu na província de Fukushima e veio para o Brasil com a família com nove anos de idade.
“Até comentei que não fiz nada pelo Estado de São Paulo”, brincou Origassa, que presidiu a Aliança Cultura Brasil-Japão do Paraná por cinco anos – atualmente é membro do Conselho Superior da entidade – foi fum dos fundadores da Abrac (Associação Brasileira de Canção) e diretor de Canto por 20 anos.

 

Confira depoimentos dos homenageados:

“Estou tão feliz que não tenho palavras. Graças ao trabalho de todos. Quero continuar com o trabalho, e fazer melhor”. (Kayoko Matsukawa/*Rizumu Taisso)

“Muita felicidade, muito gratificante. Primeiro agradecer a deus, primeiramente. E pela equipe da Noroeste que sempre me apoiou. Muito obrigado a todos, meus pais, meus familiares, minha namora, a todos”. (Eduardo Miyamura/Atletismo)

“Muita gratidão. Eu recebo o prêmio, mas com certeza foram os meus avôs, meus pais, que trouxeram isso para mim“ (Karina Hatano/Softbol)

“Estou muito feliz por receber o prêmio na categoria cultura. E agradecida por todos que me ajudaram até aqui” (Tokuko Kawamura/Cultural)

“Estou muito feliz, por depois dos 90 anos, receber prêmios. Estou segura e contente com os meus alunos, pois sei que eles cuidaram do Kinryukai” (Ryuka Hanayagui/Cultural)

“Eu não esperava por isso. Eu não fiz nada por merece, mas estou agradecido pela homenagem” (Hiromi Nishizawa/Radio Taisso)

“Sentimento de gratidão. Fui reconhecido por difundir o Kendô. Estou vendo os frutos (…) indiretamente estou ajudando na melhoria da sociedade, como um todo” (Kazuyuki Fukamizu/Kendô)

“É uma honra receber esse prêmio e só tenho sentimento de gratidão. Trabalharei ainda mais para transmitir os valores e as tradições de Okinawa para as futuras gerações, em conjunto com demais professores e meus alunos» (Shigeko Gushiken/Cultural)

“Sou de Ponta Grossa e lá não vejo tanto envolvimento dos jovens em atividades relacionadas à comunidade nikkei quanto vejo aqui em São Paulo. É muito bom ter contato com a cultura japonesa e resgatar as tradições e culturas. Me emociono lembrando do meu pai e meus antepassados. Continuarei fazendo a minha parte no dia a dia e espero que prêmios e eventos como esse sejam uma oportunidade para as pessoas mais jovens se interessarem mais pela cultura japonesa” (Sergio Kiyoshi Inoue/Park Golf)

“Para eu ter conseguido esse Prêmio, muitas pessoas colaboraram, como meus amigos e familiares. E, em especial, a Beneficência Nipo-Brasileira, Enkyo, que tem me dado muito apoio. É em nome de toda a comunidade nikkei que recebo esse prêmio”. (Yoshiharu Kikuti/Honra Nikkei)

“É uma satisfação muito grande, acho que é um reconhecimento dos meus anos dedicados ao esporte e à comunidade nikkei, que são o que me deu apoio durante a minha adolescência. Hoje sinto no dever de retribuir às gerações passadas” (Tohoru Kinoshita/Sociais)

“É resultado de muita gente, amigos e família. Acredito que o maior patrimônio não tem nome, não é uma empresa, não é material. Mas são esses valores e as tradições que herdamos das gerações passadas” (Teichum Hiramatsu/Sociais)

“Já faz um bom tempo que trabalho como diretor e educador do sumô, mas é a primeira vez que recebo um prêmio. E receber o Prêmio Paulista, considero como reconhecimento pelos nikkeis de todo o estado de São Paulo. Meu objetivo daqui para frente, é conquistar mais interesse dos nikkeis e aumentar praticantes de sumô e judô” (Yoshihiro Sakashita/Sociais)

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